domingo, 10 de fevereiro de 2019

Conversando sobre a BNCC


Após o encontro do dia 21.08 realizamos, no Cuni Coaraci, uma atividade programada sobre a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, na oportunidade analisamos a proposta registrada na Base a partir do repertório anterior adotado, artigos, leis, parâmetros curriculares e o próprio documento para o Ensino Médio em fase de finalização. Deixo abaixo, minhas observações sobre a Base Nacional Comum Curricular.


A BNCC e a escola

A Base Nacional Comum Curricular - BNCC, compreende um marco importante para as políticas voltadas ao currículo escolar, desenhadas desde a década de 80. Ela passa a ser a referência principal de modelo educativo num país diverso, com imensa pluralidade cultura e com dimensões territoriais continentais. Lógico que um documento com tal importância e que vise conversar num só formato todo o delineamento curricular educacional de um país com o Brasil, trará consigo alguns conflitos e debates ideológicos, normativos, culturais.

A BNCC garante um percurso mínimo que assegure competências ditas indispensáveis para a formação do cidadão de acordo com a fase da vida e o ciclo escolar. Abre espaço para uma formação mais autônoma do educando e leva o professor a enfrentar o desafio de atuar numa perspectiva mais interdisciplinar, reconsiderando sua formação, metodologia, formas de avaliação e planejamento.

A BNCC traz elementos já sinalizados na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (Lei nº 9394/1996) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, na tentativa de desenhar um caminho comum à Educação Brasileira.

Acredita-se que as tecnologias terão um papel fundamental neste novo rumo que a educação brasileira tem tomado e o estudante (não só o professor) deve se reconhecer a todo momento como pesquisador no processo de ensino e aprendizagem. As trocas de experiências farão com que as lacunas sejam identificadas na prática e que os atores do processo educativo se mobilizem pra a resolução de conflitos.

A educação brasileira, em toda a sua história, nunca foi plenamente emancipatória, mas sempre foi o caminho mais adequado para a conquista da autonomia e libertação dos sujeitos. Mesmo a escola sendo aparelho ideológico do Estado, o fazer cotidiano na sala de aula sempre falou mais alto na formação dos cidadãos que queremos e que precisamos formar.

Caberá, mais uma vez, a quem estiver no chão da escola, validar ou não, redesenhar ou não, todas as mudanças trazidas pela BNCC para a educação brasileira.


Que cidadão queremos formar na escola

Como documento curricular de caráter normativo, a BNCC deverá ser considerada minunciosamente nas ações educativas nacionais. Contudo, acredito que apenas o fazer pedagógico cotidiano no chão da escola seja capaz validar todas as mudanças agrupadas no documento da BNCC.

O cidadão quer espero ver daqui a 20 anos é o cidadão crítico, reflexivo, criativo. Para que se possa conduzir a sociedade de forma a não aceitar todas as imposições normativas sem antes fazer uma devida reflexão sobre seus desdobramentos ao tempo que seja capaz de propor alternativas viáveis para a superação dos conflitos provenientes destas imposições.

A BNCC traz fortes elementos para uma grande mudança no desenho da educação brasileira e toda a nossa história e memória ajustadas à nossa realidade e nossa perspectiva de futuro é que darão o real sentido para a educação que estamos (re)estruturando. A mudança nunca acontecerá de forma estanque, mas num continuum entre aquilo que está proposto e aquilo que nos aguarda na prática.

Acredito que a BNCC possa contribuir para a formação de cidadãos dispostos na manutenção de uma sociedade emancipatória, mas ratifico, ela traz erros graves em sua composição e não é apenas a BNCC o elemento principal no processo educativo, mas o fazer pedagógico de todos os dias no chão de todas as escolas do Brasil.


A proposta de formação da BNCC: as 10 competências no contexto da escola

As competências gerais na BNCC foram lançadas na tentativa de relacionar as diversas áreas do conhecimento para compreender e explicar os fenômenos históricos e contemporâneos de um mundo complexo, trazido fortemente às discussões sobre educação por Edgar Morin (2000). Juntas, essas competências consideram: Valorizar os conhecimentos sociais, físicos, culturais e digitais para explicar e colaborar com a realidade; Aprimorar o pensamento científico, crítico e criativo; Valorizar as pluralidades artísticas e culturais; Enfatizar as diversas linguagens na comunicação; Agregar e fortalecer elementos da cultura digital; Valorizar os projetos de vida dos educandos; Aprimorar o potencial argumentativo; Favorecer autoconhecimento e autocuidado; Empatia e Cooperação; Responsabilidade e Cidadania.

Sabendo que “são as interações sociais que verdadeiramente educam” (Dayrel, 1998), todos os elementos trazidos reforçam a necessidade de se formar cidadãos cada vez mais autônomos e socialmente justos. Todas as competências abrem um leque de ações numa perspectiva transversal, considerando primordialmente as realidades e as necessidades dos sujeitos e não apenas os conteúdos obrigatórios a cada etapa de ensino.

A escola, como espaço de interação social, já exige de seus atores (professores, pais, alunos, funcionários, etc) o que as competências gerais da BNCC desenham para a educação brasileira.




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