segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

I Seminário de Avaliação da Residência Pedagógica

 

O I Seminário de Avaliação da Residência Pedagógica da Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB, aconteceu nos dias 13 e 14 de fevereiro com a participação de estudantes dos três campus da universidade, reunidos no Campus Sosígenes Costa, em Porto Seguro, afim de discutir questões relativas à primeira e segunda etapas da Residência Pedagógica.

A primeira etapa diz respeito à observação e caracterização de uma unidade escolar da educação básica, previamente vinculada ao programa, chamada escola-campo. Este processo é chamado de ambientação, onde se reúne as peculiaridades da escola, conhecendo documentos que regem sua estrutura administrativa e pedagógica, primordialmente por intermédio do Projeto Político-Pedagógico - PPP, bem como conhecer o perfil do estudante, gestão, professores e demais funcionários. A segunda etapa será marcada pela articulação das ações para intervenção, mobilização da comunidade escolar, alocação de recursos (humanos, financeiros, materiais e tecnológicos).


O primeiro dia foi marcado pelas experiências dos estudantes na primeira etapa da residência, que mostraram como aconteceu a ambientação, quais as propostas para 2019, assim como as impressões sobre o programa em comparação ao Estágio Supervisionado.

Acredito que as maiores diferenças entre a Residência e o Estágio está na seu objetivo de modificar o próprio Estágio e lhe dar uma nova roupagem. É a partir da Residência que se deve repensar o estágio nas Instituições de Ensino Superior - IES, no que diz respeito aos cursos de licenciatura. Além disso a Residência se propõe a modificar a realidade onde os estudantes estão inseridos com propostas de intervenção na Unidade Escolar. Pensa-se sempre o estágio individualmente e a residência é pensada coletivamente, com atividades conjuntas, sinérgicas, como programa que acontece com grupos de trabalho nas escolas.

No caso da UFSB, esses grupos são interdisciplinares, obedecendo ao viés interepistêmico e intercultural, num sistema de ciclos, primando pela conversa entre as áreas de conhecimento. Apenas um campus obedece a interdisciplinaridade das áreas sem propor, em primeira instância, uma conversa entre elas. Os diálogos no primeiro dia, serviram também para alinhamento das ações para que todos consigam falar a mesma língua dentro da universidade que é por si, muito diversa.


No segundo dia, pela manhã, os estudantes e preceptores se reuniram por grupos intercampi para avaliarem pontos positivos, negativos, e questões relevantes para melhoria das ações em residência. Sentimos a necessidade de criar um grupo via WhatsApp intercampi para que os estudantes pudessem compartilhar seus trabalhos, êxitos e dificuldades. Foi proposto que encontros como esse seminário acontecessem com maior frequência.

O grupo em Coaraci, falou da necessidade de estudantes da mesma universidade (sejam residentes ou com outros vínculos, como Pibid ou estágio) se organizarem para que todos alinhem suas ações ao objetivo comum de melhoria das práticas pedagógicas da educação pública e efetivação das ações da universidade como intervenção à educação básica por intermédio das licenciaturas. A iniciativa foi vista como ação fundamental para que a universidade seja melhor representada dentro das unidades escolares ao tempo em que os cursos de licenciatura são fortalecidos pelo contato com a prática.


Alguns pontos negativos foram destacados, como a própria omissão da Universidade na ações relacionadas à licenciatura e neste caso com a Residência Pedagógica, os alunos de outros campis se deslocaram sem hospedagem, alimentação e sem o auxilio evento que é política da universidade, por falhas na comunicação e por falhas nas políticas da instituição, além de outras questões pontuadas como a negação do transporte aos professores-preceptores que são atores fundamentais nesse processo, já que estão atuando dentro das unidades escolares e em contato cotidiano com os residentes, uma discente lactante também teve o transporte negado por conta da sua necessidade de levar o filho.

Foi levantada por um professor da educação básica de Coaraci e encaminha à coordenação do programa de Residência, uma solicitação para possível intervenção na rede municipal de ensino. Mesmo sabendo que a Secretaria Municipal de Educação de Coaraci não aderiu ao programa de Residência Pedagógica, a solicitação foi levantada para um estudo de viabilidade e espelhamento das ações em residência dos estudantes que já estão atuando em Coaraci para nivelar conhecimentos básicos em Língua Portuguesa e Matemática nas turmas de 9º ano do Ensino Fundamental, evitando assim, diversos conflitos no Ensino Médio. Depois dessas discussões o evento foi finalizado com a fala da coordenação e alguns professores.


Penso o programa de Residência Pedagógica como algo inovador, amplo e muito bem acertado, sabendo que existem algumas questões que precisam ser alinhadas, principalmente no seu processo de implementação e execução pelas IES. Existe um desafio maior no caso da UFSB, visto que estamos diante de um sistema de educação disciplinar, fragmentado epistemologicamente e se propor num modelo de ciclos, interdisciplinar num sistema tradicional é extremamente desafiador.

Adequar a proposta de ensino da Universidade à proposta nacional de Residência Pedagógica desenhada pela CAPES e mesmo com alguns questões já garantidas pela BNCC, adequar o perfil dos cursos de licenciatura perpassa também pelas rupturas deste mesmo documento normativo. Na educação básica, esse desafio torna-se ainda maior. A reforma do Ensino Médio e a BNCC trazem algumas falhas muitos graves e é preciso ponderar essas questões, não colocando esses documentos como a "Bíblia da Educação" ou das práticas pedagógicas nas escolas, como fizemos como os PCN desde a década de 90, mas percebendo a realidade das escolas e conciliando essas exigências às demandas locais.

Penso que a formação integral do ser humano no mundo complexo é o ponto de partida para reflexões que possibilitem o fortalecimento da educação e dos cursos de licenciatura em todo o Brasil e sinto que a nossa região é privilegiada nesse contexto, já que a UFSB tem se comprometido com discentes, preceptores, orientadores e coordenação a, realmente, fazer uma análise crítica de como a educação está sendo desenhada atualmente e de que forma nós podemos contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas nas nossas escolas.




terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Evento: I Seminário de Avaliação da Residência Pedagógica



Nos próximos dias 13 e 14 de fevereiro, acontece o I Seminário de Avaliação da Residência Pedagógica da UFSB no auditório do campus Sosígenes Costa. O evento tem como objetivo geral proporcionar um espaço para que os participantes do Projeto de Residência Pedagógica da UFSB possam refletir sobre as etapas já executadas e sobre o planejamento das etapas que serão realizadas ao longo de 2019. Ele contará com residentes e professores dos três campi.

O Projeto de Residência Pedagógica da UFSB visa a aperfeiçoar a formação dos estudantes dos cursos de suas Licenciaturas Interdisciplinares, possibilitando a experiência da relação entre teoria e prática de forma ativa, com vistas ao exercício de uma prática profissional solidária, que se baseie na ação-reflexão-ação, investigando as políticas públicas educacionais, as relações de ensino-aprendizagem, as metodologias ativas e práticas pedagógicas inovadoras que proponham um trabalho interdisciplinar. Iniciado em agosto de 2018, o Projeto já teve uma etapa inicial com as Oficinas de Formação de Preceptores e Residentes e uma Primeira Etapa de Ambientação nas escolas parceiras.


Confira a programação completa: https://bit.ly/2UUzqcu

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Marco Doutrinal


Expressa as opções sobre o homem e sociedade e fundamenta essas opções teoricamente. 

Em subgrupo identifique no projeto Institucional as opções teóricas para o desenvolvimento da Residência Pedagógica na escola. Destaquem para a discussão e posterior planejamento para estudo e aprofundamento.

O que diz o Projeto Institucional da Residência Pedagógica sobre:
1. Professor-Pesquisador;
2. Interdisciplinaridade;
3. Metodologias ativas;
4. Estudo da realidade da escola e da comunidade;
5. Projetos Interdisciplinares.

Compreender o papel do profissional na área da educação, e a importância da sua intervenção na escola e na comunidade que se insere, é um dos pontos que o projeto chama a atenção, sendo reflexões importantes a formação desse futuro professor que atuará, lidando com diversas realidades e situações, que requerem deste agente diálogo, e um olhar que enxergue para além do dado, a esse respeito a RP expressa,

“Na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), compreende-se que a formação do futuro professor deve envolver os estudantes das licenciaturas interdisciplinares em debates e dinâmicas da escola de forma participativa, estabelecendo uma relação de corresponsabilidade do profissional que coordena, orienta e acompanha o processo de formação do licenciando e do próprio estudante, futuro professor, com os diferentes segmentos da escola: os professores que os recebem, os estudantes da Educação Básica, os gestores da Unidade Escolar e toda a comunidade escolar. Busca-se, no processo de formação do futuro professor, que ele seja capaz de compreender seu papel enquanto sujeito na construção do processo educativo e da sociedade” (RP, 2018, p. 5)
Esse diálogo entre os participantes da RP, professores orientadores, preceptores e residentes se faz de grande relevância, pois é a partir dessa ação conjunta, que a compreensão das diversas realidades ficará mais palpável, constituindo uma troca de experiências, saberes e conhecimentos. Fomentando também a consciência sobre a própria formação entre os residentes, pensando a escola e a comunidade em toda a sua complexidade.

O encontro de concepções entre os estágios supervisionados e a RP, possibilitam a criação de um ambiente que articula a formação dos estudantes, com os objetivos do projeto, dando um suporte maior a seus processos, e relação com componentes comuns as licenciaturas, a esse respeito a RP aborda,

Além disso, o Estágio Supervisionado pressupõe a interdisciplinaridade e um trabalho de forma transversal aos componentes curriculares comuns às Licenciaturas Interdisciplinares, buscando assim a integração de saberes e a articulação de trabalhos por projetos e eixos temáticos (RP, 2018, p. 6).

A convivência e contribuições de professores diferentes áreas, possível através da interdisciplinaridade, abre para a criação de novas possibilidades na lida com conteúdo e práticas. As provocações com essas experiências, agregam um repertório a cada participante, novas perspectivas e vista de outras conformações, pensando nestes conteúdos e práticas inseridos na realidade da comunidade e escola, a RP expõe,

Pensar a formação de professores por meio de competências e habilidades não é abrir mão de conteúdo, mas conseguir mobilizá-los para a resolução de problemas cotidianos. Os conteúdos de cada área de conhecimento serão utilizados desde o processo de observação participativa na vivência comunitária até o momento de formulação das propostas de intervenção a serem desenvolvidas (RP, 2018, p. 03)

O resultado dessas provocações e interações, gerarão intervenções articuladas a realidade, sensíveis as questões identitárias e peculiares aquela região, adentrando assim a uma circularidade que se justifica na desarticulação da hierarquia sobre os conhecimentos e saberes, sempre pensando de forma crítica e reflexiva, como podem contribuir para transformar os ambientes observados.

1- PROFESSOR PESQUISADOR

O conceito de professor/pesquisador está presente, e é abordado em todo o corpo do texto, sendo perceptível uma das essências do projeto, que é justamente trabalhar com a busca de informações através da investigação, coleta de dados, tabulação, análise de resultados e conclusões. Todos esses dados são estudos que envolvem não apenas o estudante da Universidade e da escola ao qual o projeto se vincula, mas todo o contexto e comunidade que estão a volta desses espaços, possibilitando os estudos dessa mesma comunidade e contexto em questão.

No 5º objetivo específico fica claro o que é um professor/pesquisador, quando conceitua o seguinte: “Reconhecer, investigar, produzir e divulgar os saberes populares da comunidade como forma de conhecimento”; e logo em seguida é afirmado que o professor deverá protagonizar o processo educativo e participar ativamente da gestão democrática, tomando decisões, resolvendo problemas da escola a qual faz parte, principalmente contribuindo na elaboração do Projeto Político-Pedagógico, e entendendo que ele é um ator social, um cidadão crítico, reflexivo, capaz de elaborar e fiscalizar políticas públicas voltadas para a educação.

Outro ponto importante citado no texto “os eixos/residências funcionarão considerando a proposta da formação do professor-pesquisador por meio de uma abordagem etnográfica de um processo de imersão que concebe a formação e a residência do estudante como convencíamos hábitos, as crenças e a cultura, preparando o sujeito para a intervenções que poderão ir além de uma simples análise teórica de contextos e/ ou de conteúdo, pois inseridas na complexidade das relações humanas” (RP, 2018, p. 05).

2- INTERDISCIPLINARIDADE

O Projeto da RP menciona a interdisciplinaridade como o pensar a educação, tendo como suporte as referências teóricas da interdisciplinaridade, e a própria complexidade através do desenvolvimento de projetos, “ que parte-se da noção de interdisciplinaridade como a interação entres duas ou mais disciplinas, que pode ir deste a simples comunicação até a integração recíproca dos conceitos fundamentais e da teoria do conhecimento, da metodologia, dos dados da investigação e do ensino” (RP, 2018, p. 04)

3- METODOLOGIAS ATIVAS

A Metodologia Ativa citada no Projeto Institucional da RP da UFSB irá contribuir com o residente durante sua formação, lhe dando acesso a materiais que possibilitem entender e compreender a importância do profissional da educação, gerindo a consciência da relevância de ser um sujeito ativo no processo da construção do saber, através dos conteúdos trabalhados e habilidades para análise de problemas. Segundo o texto esse processo pode ser desenvolvido através do “diálogo, da transformação social, da solidariedade e igualdade de diferenças”.

Outro ponto seria trabalhar “ações pedagógicas que permitem transformar os objetos de estudo em objetos de ensino-aprendizado”. Ainda no texto é abordado como prática pedagógica a formação para a atuação na RP, que proporcionará ao aluno residente ferramentas como a pesquisa-ação, observação participativa, rodas de conversas, atividades coletivas como dinâmicas e jogos cooperativos para melhor desempenho das atividades em campo, ou seja, “as metodologias ativas e práticas pedagógicas inovadoras que proponham um trabalho interdisciplinar” (RP, 2018, p. 03).

4- ESTUDOS DA REALIDADE DA ESCOLA


Quanto ao “Estudo da realidade da escola e da comunidade”, a RP compreende que a relação entre os espaços como a escola, a universidade e a comunidade, juntamente com os profissionais da educação de ambos os espaços citados, e os alunos são o público alvo do projeto. Ressaltando que essa integração dos espaços e pessoas envolvidas no projeto da RP, não pode acontecer sem o trabalho com as dimensões práticas, que devem ser comunitárias e cotidianas como: a organizacional; a pedagógica, e também a dimensão sociopolítica/cultural, que envolve o conhecimento etnográfico desenvolvido através de técnicas de pesquisa, e estudos para obter informações necessárias para que a ambientação do residente na escola aconteça, através de um Círculo de Cultura segundo Freire (1986) citado no projeto (RP, 2018, p.06).

Ainda no texto a partilha e discussão das anotações podem proporcionar uma melhor compreensão da realidade da escola-campo e do processo das residências pedagógicas (RP, 2018, p.16).

5- PROJETOS INTERDISCIPLINARES

O projeto interdisciplinar é o resultado de um trabalho feito a base da interdisciplinaridade, valorizando os espaços, as pessoas, os conteúdos diversos, com a finalidade de entender e compreender o contexto o qual o indivíduo está inserido, ou seja, “busca-se, assim, criar condições para que o residente vivencie oficinas que mesclem saberes acadêmicos com populares, conhecimentos teóricos com experiências práticas [...] promover uma verdadeira imersão cultural nas diferentes comunidades que fazem parte do projeto” (RP, 2018, p.04) ...] o acesso a novas metodologias de ensino-aprendizagem e de gestão, [...] entendida como fundamentais para a garantia de um ensino integral em tempo integral de qualidade, no caso das escolas de ensino médio da região” (RP, 2018, p.11).

Residência Pedagógica, Campus Jorge Amado-Itabuna, 25/09/2018.

Encontro de Formação: Planejamento Participativo


No dia 25.09, no Cuni Itabuna, o encontro de formação foi realizado a partir do planejamento participativo considerando os Marcos Doutrinal e Operativo da Residência Pedagógica.

Quanto ao Marco Doutrinal, discutiu-se a relação do homem com a sociedade nas seguintes opções teóricas: Interdisciplinaridade; Estudo da realidade da escola e da comunidade; Projetos pedagógicos; Professor-pesquisador.

O Marco Operativo, por sua vez, expressa a realidade desejada do campo de ação e do grupo em processo de planejamento e neste contexto a Residência Pedagógico se delineia pela fase de ambientação/interação entre o pesquisador e escola-campo, a investigação coletiva com a finalidade de estudo da cultura escolar e, por fim, a produção coletiva.
 
Na oportunidade confeccionamos o plano de atividades, delineando os próximos passos da Residência Pedagógica.

Para acessar o plano CLIQUE AQUI

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Conversando sobre a BNCC


Após o encontro do dia 21.08 realizamos, no Cuni Coaraci, uma atividade programada sobre a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, na oportunidade analisamos a proposta registrada na Base a partir do repertório anterior adotado, artigos, leis, parâmetros curriculares e o próprio documento para o Ensino Médio em fase de finalização. Deixo abaixo, minhas observações sobre a Base Nacional Comum Curricular.


A BNCC e a escola

A Base Nacional Comum Curricular - BNCC, compreende um marco importante para as políticas voltadas ao currículo escolar, desenhadas desde a década de 80. Ela passa a ser a referência principal de modelo educativo num país diverso, com imensa pluralidade cultura e com dimensões territoriais continentais. Lógico que um documento com tal importância e que vise conversar num só formato todo o delineamento curricular educacional de um país com o Brasil, trará consigo alguns conflitos e debates ideológicos, normativos, culturais.

A BNCC garante um percurso mínimo que assegure competências ditas indispensáveis para a formação do cidadão de acordo com a fase da vida e o ciclo escolar. Abre espaço para uma formação mais autônoma do educando e leva o professor a enfrentar o desafio de atuar numa perspectiva mais interdisciplinar, reconsiderando sua formação, metodologia, formas de avaliação e planejamento.

A BNCC traz elementos já sinalizados na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (Lei nº 9394/1996) e nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, na tentativa de desenhar um caminho comum à Educação Brasileira.

Acredita-se que as tecnologias terão um papel fundamental neste novo rumo que a educação brasileira tem tomado e o estudante (não só o professor) deve se reconhecer a todo momento como pesquisador no processo de ensino e aprendizagem. As trocas de experiências farão com que as lacunas sejam identificadas na prática e que os atores do processo educativo se mobilizem pra a resolução de conflitos.

A educação brasileira, em toda a sua história, nunca foi plenamente emancipatória, mas sempre foi o caminho mais adequado para a conquista da autonomia e libertação dos sujeitos. Mesmo a escola sendo aparelho ideológico do Estado, o fazer cotidiano na sala de aula sempre falou mais alto na formação dos cidadãos que queremos e que precisamos formar.

Caberá, mais uma vez, a quem estiver no chão da escola, validar ou não, redesenhar ou não, todas as mudanças trazidas pela BNCC para a educação brasileira.


Que cidadão queremos formar na escola

Como documento curricular de caráter normativo, a BNCC deverá ser considerada minunciosamente nas ações educativas nacionais. Contudo, acredito que apenas o fazer pedagógico cotidiano no chão da escola seja capaz validar todas as mudanças agrupadas no documento da BNCC.

O cidadão quer espero ver daqui a 20 anos é o cidadão crítico, reflexivo, criativo. Para que se possa conduzir a sociedade de forma a não aceitar todas as imposições normativas sem antes fazer uma devida reflexão sobre seus desdobramentos ao tempo que seja capaz de propor alternativas viáveis para a superação dos conflitos provenientes destas imposições.

A BNCC traz fortes elementos para uma grande mudança no desenho da educação brasileira e toda a nossa história e memória ajustadas à nossa realidade e nossa perspectiva de futuro é que darão o real sentido para a educação que estamos (re)estruturando. A mudança nunca acontecerá de forma estanque, mas num continuum entre aquilo que está proposto e aquilo que nos aguarda na prática.

Acredito que a BNCC possa contribuir para a formação de cidadãos dispostos na manutenção de uma sociedade emancipatória, mas ratifico, ela traz erros graves em sua composição e não é apenas a BNCC o elemento principal no processo educativo, mas o fazer pedagógico de todos os dias no chão de todas as escolas do Brasil.


A proposta de formação da BNCC: as 10 competências no contexto da escola

As competências gerais na BNCC foram lançadas na tentativa de relacionar as diversas áreas do conhecimento para compreender e explicar os fenômenos históricos e contemporâneos de um mundo complexo, trazido fortemente às discussões sobre educação por Edgar Morin (2000). Juntas, essas competências consideram: Valorizar os conhecimentos sociais, físicos, culturais e digitais para explicar e colaborar com a realidade; Aprimorar o pensamento científico, crítico e criativo; Valorizar as pluralidades artísticas e culturais; Enfatizar as diversas linguagens na comunicação; Agregar e fortalecer elementos da cultura digital; Valorizar os projetos de vida dos educandos; Aprimorar o potencial argumentativo; Favorecer autoconhecimento e autocuidado; Empatia e Cooperação; Responsabilidade e Cidadania.

Sabendo que “são as interações sociais que verdadeiramente educam” (Dayrel, 1998), todos os elementos trazidos reforçam a necessidade de se formar cidadãos cada vez mais autônomos e socialmente justos. Todas as competências abrem um leque de ações numa perspectiva transversal, considerando primordialmente as realidades e as necessidades dos sujeitos e não apenas os conteúdos obrigatórios a cada etapa de ensino.

A escola, como espaço de interação social, já exige de seus atores (professores, pais, alunos, funcionários, etc) o que as competências gerais da BNCC desenham para a educação brasileira.




sábado, 9 de fevereiro de 2019

Encontro de Formação: Residência de Imersão

O segundo encontro, realizado presencialmente no Cuni Itabuna, no dia 21.08, foi realizado considerando as concepções de planejamento, projetos e interdisciplinaridade. Na oportunidade foram analisados os objetivos e os indicadores de avaliação constantes no Projeto Institucional.

O Projeto Institucional de Residência Pedagógica da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) tem como ​objetivo geral aperfeiçoar a formação dos estudantes dos cursos de suas Licenciaturas Interdisciplinares, possibilitando a experiência da relação entre teoria e prática de forma ativa, com vistas ao exercício de uma prática profissional solidária, que se baseie na ação-reflexão-ação, investigando as políticas públicas educacionais, as relações de ensino-aprendizagem, as metodologias ativas e práticas pedagógicas inovadoras que proponham um trabalho interdisciplinar.

Como ​objetivos específicos​, destacam-se:


• Promover a apropriação analítica e crítica da BNCC nos seus princípios e fundamentos;

• Ensejar o domínio do conhecimento do conteúdo curricular e do conhecimento das ações pedagógicas que permitem transformar os objetos de estudo em objetos de ensino-aprendizagem;

• Desenvolver atividades que envolvam as competências, os conteúdos das áreas e dos componentes, unidades temáticas e objetos de estudo previstos na BNCC, criando e colocando em prática sequências didáticas, oficinas, planos de aula, problematização e avaliação de materiais didáticos e outras ações pedagógicas dentro das comunidades escolares em que as residências serão desenvolvidas;

• Pensar a educação tendo como base teórica a interdisciplinaridade e a complexidade, por meio da proposição de projetos temáticos;

• Reconhecer, investigar, produzir e divulgar os saberes populares da comunidade como forma de conhecimento;

• Desenvolver e concretizar princípios, tais como: diálogo, transformação social, solidariedade e igualdade de diferenças;
• Construir relações solidárias e igualitárias por meio da criação de sentidos pessoais e sociais guiados pelos princípios da igualdade e solidariedade;

• Compreender a residência como o espaço de exercício da formação de professores para uma atuação profissional crítica e contextualizada socialmente;

• Compreender a residência como o espaço de interação entre universidade, escola-campo e comunidade, envolvendo estudantes-residentes, estudantes da escola, professores e gestores da escola e docentes universitários em diferentes formas coletivas de reflexão e debate educacional;

• Envolver os estudantes universitários e os da escola, os profissionais da escola-campo e as pessoas das comunidades em fóruns permanentes de discussão sobre a educação e temas pertinentes à atuação dos diversos sujeitos do campo educacional;

• Integrar a universidade à comunidade tendo em vista a compreensão das diferentes dimensões no estudo da prática escolar e comunitária cotidiana: a) dimensão organizacional; b) dimensão pedagógica; e c) dimensão sociopolítica/cultural.


Os indicadores considerados para avaliação das ações são:
Coerência: relação teoria/prática
Cooperação: espírito de equipe, solidariedade
Criatividade: inovação, animação, recreação
Transformação: passagem de um estado para outro melhor
Apropriação: Propriedade na seleção de conceitos e conteúdos, equilíbrio entre o desejado e o alcançado
Produção: processo que possibilita produção e difusão de novos conhecimentos
Protagonismo: Participação nas decisões fundamentais 



Encontro de Formação: BNCC e Reforma do Ensino Médio


O primeiro encontro de formação foi realizado no dia 16.08 no Cuni Itabuna e transmitido metapresencialmente para os outros Cunis (Coaraci, Ibicaraí, Ilhéus). A temática abordada foi a BNCC e a Reforma do Ensino Médio, balizada pelos próprios documentos normativos e dois artigos: "Tentativas e Padronização do Currículo e da Formação de Professores no Brasil" (Santos e Diniz-Pereira, 2016) e "Reforma do Ensino Médio no Contexto da Reforma Provisória nº 746/2016: Estado, Currículo e Disputas por Hegemonia" (Farreti e Silva, 2017).

Uma palestra foi ministrada pelo Prof. Dr. Álamo Pimentel, que abordou: As práticas docentes interdisciplinares (humildade, coerência, espera, respeito e desapego); Princípios e práticas interdisciplinares de um docente como a efetividade e a ousadia; A relação e diferenças entre a RP e o Pibid; Desafios do planejamento participativo.




Reunião para Apresentação do Projeto Institucional e Esclarecimentos Burocráticos.


Após resulto do edital para seleção de estudantes das licenciaturas para atuação no Programa de Residência Pedagógica, o primeiro momento foi programado para apresentação do Projeto Institucional da UFSB e esclarecimentos burocráticos, formalização da participação e aceitação da bolsa junto a CAPES.

Esta primeiro reunião aconteceu no dia 31.07 no Cuni Itabuna, transmitida metapresencialmente para os outros Cunis do Campus Jorge Amado (Coaraci, Ibicaraí e Ilhéus)

O Projeto Institucional, bem como o subprojeto do Campus Jorge Amado podem ser encontrados na página DOCUMENTOS.

O Projeto Institucional situa a UFSB dentro do Programa de Residência Pedagógica da CAPES em atendimento ao Edital Público Nacional por ela publicado. Este projeto apresenta e caracteriza a Universidade Federal do Sul da Bahia, informa como os subprojetos se articulam com o projeto institucional e como o projeto de residência auxilia no aperfeiçoamento do estágio curricular supervisionado dos cursos de licenciatura; Apresenta uma proposta preliminar de plano de ambientação dos residentes na escola e na sala de aula, bem como a forma de preparação do aluno para a residência e para a organização e execução da intervenção pedagógica, além de dar delineamento a todas as ações a serem realizadas obedecendo ao cronograma geral do programa.